terça-feira, 18 de outubro de 2011

JESUS - O MAIOR PEDAGOGO QUE JÁ EXISTIU

Amigo(a) Professor(a)

Tenho lido muita coisa sobre a Educação por uma nova ótica. Tenho ficado extremamente incomodada e inquieta. Nesses textos, tenho tido a oportunidade de refletir cada vez mais sobre a nossa relação com os alunos e com os nossos semelhantes de uma forma geral.
O que mais me chama a atenção é a necessidade urgente de transformação em nós mesmos a fim de atingirmos o nosso ideal de transformar o mundo... Parece que sempre seguimos o processo contrário...
Nisso, A Pedagogia de Jesus, pelo autor
José Herculano Pires é assim apresentada e eu gostaria de compartilhar com você:

“O pensamento pedagógico, orientador dos processos educacionais superiores, resulta da reflexão sobre os problemas da educação. Jesus não era um educador no sentido comum da palavra. Não possuía, como homem, nenhum experiência educativa. Sua profissão era a do pai, segundo a tradição familiar: carpinteiro. Deixando de lado os problemas referentes à sua origem e natureza divinas e encarando humanamente os fatos poderíamos falar numa Pedagogia de Jesus? O que revela a existência de um pensamento pedagógico na orientação educacional dada por um mestre não são os seus títulos, são as coordenadas e a estrutura do seu ensino. Toda pedagogia se funda numa filosofia. No caso de Jesus a filosofia básica é a dos Evangelhos. Essa filosofia, que é a própria essência do Cristianismo, fornece a Jesus as diretrizes e dela resulta o reconhecimento, já largamente efetuado no plano pedagógico, de uma verdadeira Pedagogia de Jesus. Francisco Arroyo, em sua monumental "História Geral da Pedagogia", sustenta o seguinte: "Com o Cristianismo aparece um novo tipo histórico de educação. –– Jesus é o modelo perfeito do mestre cristão. Clemente de Alexandria chama-o de Pedagogo da Humanidade". Os fundamentos pedagógicos do ensino de Jesus estão na sua concepção do mundo, abrangendo o homem e a vida. Essa cosmovisão se opõe à concepção pagã e à concepção judaica. Jesus, assim, não é apenas um reformador religioso, mas um filósofo na plena acepção da palavra. Ele modifica a visão antiga do mundo e essa modificação atinge a todas as filosofias do tempo, não obstante os pontos de concordância existentes com várias delas. A comparação entre a idéia de Deus do Velho Testamento e a idéia de Deus do Novo Testamento mostra-nos a diferença entre o mundo judeu e o mundo cristão O Deus de Jesus é o pai de todas as criaturas, sem distinção de raças ou posições sociais. Essa paternidade universal determina a fraternidade universal. O Deus-Pai do Evangelho não é vingativo nem irado, não comanda exércitos para destruir povos e nações, mas ama a todos os seus filhos, quer a salvação de todos e a todos concede o seu perdão generoso. Como diria Paulo mais tarde, o tempo da lei e da força fora substituído pelo tempo da graça e do amor. O objetivo da vida humana não é mais a conquista do céu pelo violência, mas a implantação do Reino de Deus na Terra. As riquezas e o poder não são coisas desejáveis e invejáveis, mas fascinações perigosas que podem levar a criatura humana à perdição. As crianças não são desprezíveis, mas as preferidas de Deus, e para nos tornarmos dignos d'Ele temos de nos fazer crianças. Matar os pequeninos, os inocentes, os indefesos não é prova de valentia e de coragem, mas crime aos olhos de Deus.

A pedagogia da esperança

Desses princípios fundamentais resultava logicamente a Pedagogia da Esperança. A educação não era mais o ajustamento do ser aos moldes ditados pelos rabinos do Templo, a imposição de fora para dentro da moral farisaica, mas o despertar das criaturas para Deus através dos estímulos da palavra e do exemplo. A salvação pela graça não era um privilégio de alguns, mas o direito de todos. Jesus ensinava e exemplificava e seus discípulos faziam o mesmo. Chamava as crianças a si para abençoá-las e despertar-lhes, com palavras de amor, os sentimentos mais puros. Nem os apóstolos entenderam aquela atitude estranha: um rabi cheio da sabedoria da Torá perder tempo com as crianças ao invés de ensinar coisas graves aos homens. Mas Jesus lhes disse: "Deixai vir a mim os pequeninos, porque deles é o Reino dos Céus". Sua condição de mestre é afirmada por ele mesmo: "Vós me chamais mestre e senhor, e dizeis bem, porque eu o sou". Sim, ele é o mestre do Mundo, o senhor dos homens, de todos os homens, sem qualquer distinção. Cada criatura humana é para ele um educando, um aluno, como escreveu o Dr. Sérgio Valle: "matriculado na Escola da Terra". Assim, a Terra não é mais o paraíso dos privilegiados e o inferno dos condenados. É a grande escola em que todos aprendemos, em que todos nos educamos. A Pedagogia da Esperança oferece a todos a oportunidade de salvação, porque a salvação está na educação. Vejamos este expressivo trecho de Francisco Arroyo em sua "História Geral da Pedagogia": "Jesus possui todas as qualidades do educador perfeito. Os recursos pedagógicos de que se serve conduzem o educando, com feliz e profunda alegria, à verdade essencial dos seus ensinos. Por isso pode sacudir e despertar a consciência adormecida do seu próprio povo, asfixiado sob o peso excessivo da lei mosaica e da política imperialista da época". "Os ensinos de Jesus são sempre adaptados aos ouvintes. Ele pronuncia as suas palavras de forma compreensível para todos, sempre nas ocasiões mais oportunas. Recorre freqüentemente às imagens e parábolas, dando maior plasticidade às suas idéias". "A Pedagogia do mestre é também gradual. Não cai jamais em precipitações que possam fazer malograr o aprendizado. Semeia e espera que as sementes germinem e frutifiquem: Tenho ainda muito a vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora". "Como todo educador genial, Jesus emprega em alto grau a arte de interrogar, de expor, de excitar o interesse dos discípulos. Seus colóquios decorrem sempre num ambiente de incomparável simpatia. É digno, severo, paciente, segundo as circunstâncias e os interlocutores". Os seus ensinos são claros e intuitivos. Cria figuras literárias e busca exemplos da vida cotidiana para esclarecer o seu pensamento. Aperfeiçoou a forma da parábola e revestiu-a de incomparável esplendor" (Riboulet). "Seus ensinos têm um toque de autoridade (Eu sou o caminho , a verdade e a vida, todo o poder me foi concedido). Mas exerce com suavidade a sua autoridade. Responde com bondade aos contraditores de boa fé e com energia aos que querem combatê-lo".

Assim, meu querido amigo professor, vejo que estamos no caminho do MESTRE maior. Estamos, certamente, nos trabalhando para isso. Para despertar em nós esse grande EDUCADOR!! Que neste momento, nos reconheçamos no Mestre e lembremos sempre de que ele é nosso modelo e guia, assim, como o somos aos nossos alunos, filhos...Um Abraço forte!

Mônica

quarta-feira, 27 de abril de 2011

TRABALHANDO COM OS NOMES DOS ALUNOS

Achei muito interessante essa atividade da professora  Sabrina, do 1º ano. A professora comentou que é uma atividade complexa e que exige tempo e intervenção direta em sua realização.

Os alunos em todas as hipóteses de escrita podem desenvolvê-la de acordo com o propósito da professora e a partir de adaptações para esses diferentes momentos da aquisição da escrita dos alunos.
Uma sugestão é que se desenvolva a atividades aos poucos, tipo três/ quatro nomes por dia, pode-se utilizar o alfabeto móvel também.
Aproveito para agradecer a professora Sabrina e parabenizá-la pelo trabalho, assim como a todas as prôs dos nossos 1ºs anos que são tão comprometidas.


 NOME: - _______________________________DATA:- ___/ ___/___
PROFESSORA: ______________ 

PINTE AS VOGAIS DOS NOMES DA TABELA E DEPOIS CONTE AS VOGAIS E LETRAS:

nomes dos alunos                      nº de letras       nº vogais

S A B R I N A                         
A N A  J Ú L I A
            F E L I P E
            K A U E
            C A M I L Y
            L E O N A R D O
           VANESSA
           J O Ã O P E D R O
           M A R C O S

Que outras sugestões vocês dão?

sábado, 23 de abril de 2011

PLANO DE AULA – PIADAS
TIPO DE ATIVIDADE – PONTUAÇÃO DE UMAs PIADAs
Proposta da atividade: Pontuar três piadas de forma que se tornem engraçadas.

O que se pretende que os alunos aprendam:
·      A importância dos sinais de pontuação, responsável pela significação possível de ser dada aos textos;
·      Refletir sobre adequação textual e pontuação.

Intervenções:
          Explicação inicial dada aos alunos sobre o que terão de fazer (consigna)
·      A professora lerá para os alunos algumas piadas;
·      Os alunos receberão as piadas não estruturadas escritas em letra de fôrma e maiúscula, oferecendo maior desafio, sem os brancos que indicam parágrafo ou travessão;
·      Com a cópia em mãos os alunos farão a leitura coletiva dos textos;
·      Em seguida, pontuarão os três textos, de forma que tenham realmente significado, atendendo ao objetivo do texto humorístico, neste caso, provocar graça, riso;
·      Ler para a classe os textos, agora com a entonação dada pela pontuação;
·      A professora escreverá o texto na lousa sem a pontuação;
·      Conferir e analisar na lousa se os textos produzidos conferem com os dos demais alunos, coletivamente.
·      Refletir e analisar se os significados dos textos e os objetivos foram atingidos.

Descrição de como serão agrupados os alunos:
              Os alunos serão agrupados em duplas conforme as necessidades de avanço; um aluno com maior dificuldade com outro que tenha uma possibilidade maior de reflexão sobre a proposta.

Segue uma sugestão de piada:

UMA QUESTÃO DE PONTO DE VISTA E LÁ ESTAVA O MENINO SEGURANDO NO RABO DO GATO E O GATO FAZENDO A MAIOR ALGAZARRA CHEGA SUA MÃE E DIZ PARE DE PUXAR O RABO DESSE GATO MENINO ELE SEM SE ALTERAR RESPONDE EU NÃO ESTOU PUXANDO MÃE SÓ ESTOU SEGURANDO QUEM ESTÁ PUXANDO É ELE
 Esta é uma atividade muito produtiva!

Tadeu e Maria Angélica

          À primeira vista, Tadeu e Maria Angélica formavam um casal normal. Gostavam de cinema, de música e de viagens. Mas, acima de tudo, amavam o futebol. Só que, infelizmente, torciam para times rivais.

              No começo, isso não era um grande problema. Maria Angélica não se importava quando Tadeu comemorava as vitórias do time dele e Tadeu até dava parabéns para Maria Angélica quando o clube dela vencia. Mas talvez isso só acontecesse porque os dois times eram muito ruins, e as vitórias, muito raras.
              Então, no campeonato deste ano, as coisas mudaram . Novos reforços foram apresentados, técnicos foram contratados, as equipes melhoraram e as torcidas começavam a ter esperanças.
              As coisas mudaram tanto que os dois times chegaram à final do torneio.
              Tadeu comprou um uniforme azul e amarelo para ir ao estádio. Maria Angélica foi com uma enorme bandeira verde e branca.
              Os dois sentaram lado a lado durante a partida. Para evitar brigas, tentavam não vibrar demais quando os seus times acertavam um lance, nem zombar do outro quando a equipe adversária cometia algum erro.
              O zero a zero vinha mantendo a paz do casal, porém, no último lance do jogo, quando o time de Tadeu marcou o gol da vitória, ele não se conteve e gritou: “Goooooooooo!”. E assim mesmo, com dez letras “o”.
              Mas ele não parou aí. Começou a dançar em volta de Maria Angélica enquanto cantava “ ê ,ô,ê,ô meu time é um terror, ê, ô, ê , ô e o seu time é perdedor”.
              Maria Angélica ficou verde de ódio. Então disparou:
        _ Tadeu, você passou dos limites. Cartão vermelho!
        _ Como assim, Maria Angélica, você está me expulsando de campo?
        _ E do casamento. Você pisou na bola!
        _ Ta, eu exagerei, mas também não precisa entrar de sola.
        _ Agora é tarde. Você chutou nosso amor para escanteio!
        _ Calma, eu não quero tirar o time de campo. Vamos tentar um segundo tempo...
        _ Não, senhor. Você já estava na marca do pênalti. Pode ir para o chuveiro!
        _ Quem sabe uma prorrogação?
        _ Não. Fim de jogo.
        Tadeu sentou na arquibancada, apoiou a cabeça nas  mãos e disse:
        _ Tudo bem, Maria Angélica, se você quer que eu pendure as chuteiras, é assim que vai ser. Mas isso me deixa muito triste , porque a gente fazia uma tabelinha e tanto. Eu acho que você bate um bolão e sempre que eu chegava em casa corria para o abraço. Sabe, eu vestia a camisa do nosso casamento.... eu jogava por amor....
              Aquela declaração deixou os olhos de Maria Angélica encharcados como o Maracanã sem drenagem. Então ela jogou longe sua bandeira e pulou sobre Tadeu como se ele tivesse marcado um gol decisivo.
              Tadeu olhou fundo nos olhos de Maria Angélica e, com voz emocionada, cantou:
         _“Ê, ô, ê, ô, nosso amor é um terror”!
         _ Tadeu, foi a coisa mais linda que alguém já me disse.
             Então os dois beijaram-se, fizeram as pazes e viveram felizes para sempre. Ou,  pelo menos, até a próxima final de campeonato.

          Conto de José Roberto Torero

PESSOAS DO SIM, PESSOAS DO NÃO

              Pessoas do “sim” são aquelas para as quais tudo é possível, desde que se tente com firmeza. Pessoas do “sim” são aquelas que crêem em princípio, que todas as coisas são boas até que se prove o contrário. Pessoas do “sim” são aquelas que estão sempre prontas a colaborar, a comprometer seu tempo com um novo projeto, atestar idéias, tudo fazer parar que as coisas aconteçam. Pessoas do “sim” são aquelas entusiasmadas com o que fazem, com o que são e com a possibilidade de poderem fazer as coisas de forma diferente. Pessoas do “sim” são bem humoradas, com um sorriso sempre pronto, aquelas com as quais sentimos prazer em conviver, conversar, trocar idéias. Pessoas do “sim” são aquelas que fazem tudo e ainda encontram tempo para criar, elaborar, participar e colaborar.
              Mas há também, pessoas do “não”. Pessoas do “não” são aquelas para as quais nada é possível. Pessoas do “não” são aquelas que vivem dizendo que já viram esse filme antes... e que tudo é papo furado. Pessoas do “não” são aquelas azedas, amargas, que vivem com uma nuvem negra sobre suas cabeças.
              Pessoas do “não” são aquelas que não tempo para nada, são ocupadíssimas (!?) e nada fazem.
              Pessoas do “não” são aquelas com as quais temos horror em trabalhar.

Cuidado: o mundo de hoje só tem lugar para pessoas do SIM! Aliás, o mundo sempre foi para pessoas do SIM. Acreditemos em nossos sonhos e batalhemos pela sua realização. Dizendo SIM à VIDA!

PROJETO CENTOPÉIA
LER PARA EXPERIMENTAR, DESCOBRIR, CRIAR...

Objetivo Geral: incentivar o desejo de ler e o interesse pela leitura levando os alunos a refletirem sobre os aspectos da língua e sua análise.
Objetivo Específico: motivar e levar os alunos e conhecerem o acervo da escola e de outros espaços de leitura.

Questões Iniciais:
Quais são os tipos de texto que a turma prefere (gibis, livros de histórias, contos, piadas, etc.)?
Quais são as histórias que já ouviram e se recordam?
Vocês lêem, têm acesso à revistas? Quais?

Material:
  • Cantinho da leitura preparado com material de leitura diverso (livros de acordo com a faixa etária da turma, jornais, revistas, gibis, informativos, etc) e lápis coloridos para desenhos;
  • Livros diversos;
  • Uma ou duas cartolinas/ E.V.A. recortadas em rodelas de cerca de 5 cm de diâmetro e canetinhas.
  • Folhas ou cadernos para escrita do relatório individual;
  • Portfólio para arquivo dos relatórios (saco plástico, pasta de elástico, pasta arquivo ou outro).
  • Cartolinas e canetas para cartazes.
Procedimento:
  • Diariamente o professor lerá diversos tipos de textos;
  • Apresentar as regras e os combinados do projeto para os alunos. De preferência dar-lhes uma cópia para anexarem no caderno;
  • O aluno ajudante do dia registrará no caderno de saída e entrada dos livros;
  • Os alunos receberão uma bolinha correspondente à cabeça da centopéia, de preferência com o nome do aluno e a data de início do projeto;
  • O professor fará uma seleção de livros para o início e os dispõe na canaleta da lousa, cada aluno escolhe um e, durante a semana, elaborará o relatório do livro lido;
  • Quando o aluno entregar o relatório ganhará uma bolinha que comporá mais um pedaço do corpo da centopéia. Nessa bolinha, o aluno registrará o título do livro e nome do autor;
  • As centopéias podem ser expostas num varal;
  • Na medida do possível, os alunos receberão o retorno dos relatórios com alertas sobre onde podem melhorar;
  • Estabelecer o Momento da Sugestão, onde todos os dias dois ou três alunos devem sugerir livros já lidos e autores prediletos para a sua turma e para as demais da escola;
  • Quando o aluno completar a 5ª bolinha, receberá um incentivo que pode ser um adesivo; completando a 15ª bolinha receberá uma lapiseira; quando atingir a 30ª bolinha ganhará uma prenda (a escolha do professor); e na 50ª bolinha um livro;
  • Aos poucos, o professor irá explorando com os alunos idéias para que este escreva o sue próprio livro, fazendo-os refletir sobre o quê e como gostariam de apresentá-lo, envolvendo aí o trabalho de escrita de rascunhos, produções coletivas, correções, reescritas e conclusão;
  • O projeto tem a culminância numa manhã/tarde de autógrafos para as outras turmas e comunidade.
Avaliação:
A quantidade de bolinhas contidas na centopéia de cada aluno será um dos parâmetros de avaliação, além do indicador contido nos relatórios e portfólios individuais e confecção/ escrita de seus próprios livros.  


Orientações Gerais:
  • Esta sugestão de projeto pode ser adaptada e direcionada a todos os anos de acordo com os objetivos e faixas etárias de cada turma. A proposta da Centopéia também é genérica, podendo o professor escolher outro animalzinho como leão, borboleta, joaninha... O importante é que este animal seja construído aos poucos, de acordo com as leituras de cada aluno.
  • Se houver pouca oferta de livros em sua biblioteca, a sugestão é que o professor busque alternativas como solicitar doações na comunidade ou que busque empréstimo nas bibliotecas públicas do município;
  • A leitura antes de mais nada deve ser promovida como uma forma de fruição (prazer). Os registros são importantes, mas mais importante é a promoção de momentos de prazer. É fundamental que o professor tenha o bom senso de no início do projeto deixar os alunos à vontade para suas escolhas dos livros e para registrarem ou não suas leituras. Esse tempo é necessário para se ‘conquistar’ o leitor.  


Algumas Sugestões Didáticas:
Roda de leitura/ hora do conto
  • Escolher um bom livro, de acordo com a faixa etária da turma;
  • Criar uma atmosfera de encantamento para a leitura em voz alta pelo professor. O aluno presenciará um ato quase mágico;
  • Explorar a capa, tipo de letra, desenhos, cores, texturas;
  • Explore a análise dos aspectos físicos do livro (tamanho e distribuição das letras e do texto pelas páginas, numeração, espessura do livro, ilustrações);
  • Quando o livro for ‘grosso’, o professor pode realizar a leitura em capítulos, criando o suspense;
  • Solicitar pesquisas e escolher também textos de jornais, folhetos de propaganda e revistas, que desperte o interesse dos alunos e que falem sobre o assunto do livro que estão lendo, realizando associações;
  • Despertar nos alunos a atenção para a finalidade de cada texto (informar, divertir, emocionar, promover o prazer);
  • Pesquisar poesias, contos infantis, HQ que sejam do cotidiano dos alunos;
  • Fazer da leitura uma diversão, criar cenários, usar técnicas diferentes para contar histórias, promover momentos de expressão por meio de desenhos, pinturas, colagens;
  • Divida o texto escolhido em começo, meio e fim. Ao final do conto, construir com eles  um cartaz com as palavras-chave (síntese) da seqüência lida;
  • Pesquisar letras de música que possam ser relacionadas aos textos lidos;
  • Circulo do livro para empréstimo e trocas;
  • Dramatizar a história contada.

ALGUMAS ADAPTAÇÕES
1ºs e 2ºs anos:
  • Solicitar a leitura e registro do reconto dela em casa com ou pelos pais, constando também registro de informações como: Seu filho demonstrou interesse pela leitura? Pediu que recontasse?, etc;
  • O registro do aluno pode ser a ilustração do texto lido;
  • Selecionar os textos a serem lidos que contenham jogos orais (parlendas, rimas, trava-línguas, etc).

                                                      3ºs anos
  • Solicitar o registro pelos pais das impressões durante a leitura realizada pelo filho (trechos que mais gostou, resposta a questões), acompanhando-o na leitura;

                                                                4ºs anos e 5ºs anos
  • O aluno pode realizar a leitura para a família. Esta deve registrar os comentários referentes à entonação, fluência na leitura, etc. Além dos aspectos de interesse por este ou aquele trecho;
  • Os aspectos referentes à língua e à linguagem (e também em relação ao repertório de leitura) podem ser trabalhados por meio de jogos, gincanas e competições planejadas pelo professor;
  • O aluno segue o roteiro do projeto, registrando em folha própria a sua leitura.
  • A promoção de indicações de leitura a outras classes também poderá ser efetivada a partir de momentos de reconto, produção de cartazes de divulgação e propaganda variada (criação de folder, pesquisa, teatro, campanhas, etc).

ATP Mônica Gaudêncio 

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Aula Nomes Próprios

NOMES PRÓPRIOS
Conteúdo
Leitura e escrita de nomes próprios
Ano 
1º e 2º anos
Tempo estimado

Um mês
Introdução

Por que trabalhar com os nomes próprios? As crianças que estão se alfabetizando podem e devem aprender muitas coisas a partir de um trabalho intencional com os nomes próprios da classe.
Objetivos
- Diferenciar letras e desenhos.
- Diferenciar letras e números.
- Diferenciar letras umas das outras.
- A quantidade de letras usadas para escrever cada nome.
- Função da escrita dos nomes: para marcar trabalhos, identificar materiais, registrar a presença na sala de aula (função de memória da escrita) etc.
Material necessário
Folhas de papel sulfite com os nomes das crianças da classe impressos, etiquetas de cartolina, folhas de papel craft e letras móveis.
Desenvolvimento

1ª etapa
Peça que as crianças desenhem. Recolha as produções e questione os alunos como fazer para que se saiba a quem pertence cada material. Ouça as sugestões. Distribua etiquetas e peça que cada um escreva seu nome na sua presença. Chame a atenção para as letras usadas, a direção da escrita, a quantidade de letras etc.
Flexibilização para deficiência auditiva (perda auditiva parcial, tem oralidade e está em fase de alfabetização)
Dê oportunidade de o aluno escrever da maneira que consegue.
2ª etapa
Questione os alunos como os professores podem fazer para saber o nome da sala toda nos primeiros dias de aula. Ajude-os a concluir sobre a função do uso de crachás. Distribua
cartões com a escrita do nome de cada um que deverá ser copiado nos crachás. Priorize nesse momento a escrita com a letra de imprensa maiúscula (mais fácil de compreensão e reprodução pelo aluno).
3ª etapa
Lance para a classe o problema: como podemos fazer para não esquecer quem falta na aula? Apresente uma lista com todos os nomes da classe. Escreva todos os nomes com letra de imprensa maiúscula. Peça que localizem na lista da sala o próprio nome. O cartaz com essa lista pode ser grande e fixado em local visível. Disponibilize letras móveis e peça para cada um montar o próprio nome.
4ª etapa
Dê uma lista com todos os nomes da sala para cada criança. Dite um nome e peça que encontre sua escrita e o circule. Em seguida, peça a um aluno que escreva aquele nome na lousa. A turma deve conferir se circularam o nome certo. Para que essa atividade seja possível, é importante fornecer algumas ajudas. Diga a letra inicial e final, por exemplo.
Flexibilização para deficiência auditiva (perda auditiva parcial, tem oralidade e está em fase de alfabetização)

Para o aluno saber melhor qual é o nome ditado, a professora pode pedir que cada aluno se levante quando seu nome for dito.
5ª etapa

Peça que as crianças digam o nome dos alunos ausentes e que façam circular esses nomes. Depois, peça para separarem a lista em duas colunas: nomes das meninas e nomes dos meninos. É importante chamar a atenção para a ordem alfabética utilizada nas listas. A nomeação das letras do alfabeto é fundamental para ajudar o aluno a buscar a letra que necessita para escrever. Em geral, as crianças chegam à escola sabendo “dizer” o alfabeto, ainda que não associando o nome da letra aos seus traçados. Aproveite esse  conhecimento para que possam fazer a relação entre o nome da letra e o respectivo traçado. 
Avaliação
Observe se as crianças avançaram em suas hipóteses de escrita, ampliaram o repertório das relações que estabelecem, começam a interpretar a escrita durante e depois de sua produção e se pedem ou fornecem informações ao colega durante a realização das atividades.  

Como se trabalha com projetos

Como se trabalha com projetos 
ALMEIDA, Maria Elizabeth. Como se trabalha com projetos. Revista TV Escola, [S.l.], n. 22, p.35-38, 2001. Entrevista concedida a Cláudio Pucci. Disponível em: <http://mecsrv04.mec.gov.br/seed/tvescola/revistas/revista22/PDF/entrevista.pdf>. Acesso em: 12 jul. 2009.
É preciso, antes de tudo, não confundir atividade temática com projeto. Deve-se também negociar e conquistar os alunos para o tema do trabalho. Eles são sujeitos da aprendizagem. Os professores, seus parceiros.
“Projeto é um design, um esboço de algo que desejo atingir. Está sempre comprometido com ações, mas é algo aberto e flexível ao novo. A todo momento você pode rever a descrição inicialmente prevista para poder levar avante sua execução e reformulá-la de acordo com as necessidades e interesses dos sujeitos envolvidos, bem como da realidade enfrentada”, define Maria Elizabeth de Almeida, professora da Faculdade de Educação da PUC-SP, ex-professora de Matemática do ensino fundamental e médio, especializada, desde 1995, na capacitação de professores para o uso do computador em educação. Ela trata aqui de alguns conceitos essenciais  para o trabalho por projetos, no qual se considera o aluno sujeito da aprendizagem – ativo e autônomo para criar, para construir e representar o conhecimento. Aponta competências desenvolvidas nesta prática, que tende à interdisciplinaridade. Mas avisa: “Se fazermos do projeto uma camisa-de-força para todas as atividades escolares, estaremos mais uma vez engessando a prática pedagógica.” A entrevista concedida ao nosso editor, Cláudio Pucci, foi realizada à distância, em troca de mensagens pela Internet.
TV ESCOLA: Os PCN dizem que o professor deve saber do interesse dos alunos em pesquisar determinado  tema e estabelecer com eles uma espécie de contrato sobre o que será  feito. E se eles não quiserem pesquisar, por exemplo, a questão dos animais em extinção? Está certo, os alunos precisam ser ativos, desenvolver autonomia, mas a professora não pode deixar de dar esse conteúdo, tem que se ater ao currículo. Como ela faz?
Maria Elizabeth de Almeida: Propomos que ela possa negociar com os alunos, tentar conquistá-lo para o tema ou, então, desistir mesmo, porque se corre o risco de não ocorrer aprendizagem alguma. Temos exemplos de práticas bem sucedidas nesse sentido e  também de outras cuja pressão do professor por um  tema  fez com que os alunos perdessem o interesse. Imagine um projeto definido no final de 1997 para ser desenvolvido no segundo bimestre de 1998, com x aulas sobre a Copa do Mundo. É evidente que essa atividade não era efetivamente projeto e sim atividade temática, porque os alunos tinham um roteiro a seguir e tudo estava definido previamente. Aí, no meio do suposto projeto, o Brasil perdeu a Copa.
Como ficou o interesse dos alunos? Foi um ótimo momento para o professor repensar a sua prática e tomar consciência de que não estava trabalhando com projeto. Que precisaria ter ouvido seus alunos para saber o que realmente era significativo para eles e permitir inclusive mudanças de rumo no decorrer do trabalho.
TV ESCOLA: Em um dos programas da série PCN na Escola: Projetos, um arquiteto, acho, diz que projeto é a receita de um bolo mais a fotografia desse bolo. Como você define projeto, professora? E o que é projeto na Educação?
Elizabeth: Vejo projeto mais como um design, um esboço de algo que desejo atingir. O projeto está sempre comprometido com ações, mas é algo aberto e flexível ao novo. A todo momento você pode rever a descrição inicialmente prevista para poder levar avante sua execução e reformulá-la de acordo com as necessidades e  interesses dos sujeitos envolvidos, bem como da realidade enfrentada.
TV ESCOLA: Isso certamente exige um bom jogo de cintura do professor. E uma boa dose de criatividade. Mas ele precisa ser também organizado e capaz de uma disciplina que sustenta esse vaivém de planejar, replanejar, não é?
Elizabeth: O professor precisa  ter clareza de sua  intencionalidade e  também do que o aluno está se propondo a desenvolver. Sua  intencionalidade sustenta esse  vaivém que se realiza por meio de  reflexão sobre os caminhos que estão sendo percorridos e pela comparação entre os resultados obtidos e os previstos inicialmente, de modo a identificar se há necessidade de  replanejar e o que está sendo descoberto nesse processo, que conceitos novos emergiram etc.
TV ESCOLA: A metodologia  de  projetos  não  foi  inventada  agora. O que    de novo? Mudaram só os princípios, a ideologia pedagógica?
Elizabeth: A ideia de projeto é a mesma e traz implícitos os conceitos de cidadania e democracia. Quando se  trabalha  com projetos,  usando o  computador para  representar o conhecimento em construção,  tem-se um novo potencial devido à possibilidade de poder registrar  e  acompanhar  todo  o  processo  de  desenvolvimento.  A qualquer momento  esse processo pode  ser  revisto,  reelaborado, estudado, modificado. Com isso o professor tem maiores evidências sobre o desenvolvimento do aluno, suas dificuldades e descobertas, podendo intervir para favorecer maior aprendizagem, fornecer informações significativas para o trabalho em execução, questionar o aluno de modo a desestabilizar as certezas inadequadas, propor desafios etc.
TV ESCOLA: Você está vinculando o computador, estreitamente, à questão da democracia e da cidadania. E quem não tem computador? Fala também do computador como recurso eficaz para o professor controlar o que acontece. Como conciliar democracia e controle? E como controlar, quando os computadores estão nas mãos dos alunos?
Elizabeth: Os conceitos de cidadania e democracia são inerentes ao trabalho com projetos, quer esteja-se utilizando ou não o computador. Não estamos falando em controle, mas em acompanhamento do processo de aprendizagem do aluno e na promoção de desafios que possam ajudar o aluno a aprender. Não dá para controlar o aluno quando ele é o sujeito da aprendizagem e tem liberdade para criar, representar e construir conhecimento. A ideia de controle é incompatível com a de aprendizagem por projetos, em que os alunos são sujeitos da aprendizagem e os professores são parceiros dos alunos.
TV ESCOLA: Qual a vantagem de se trabalhar por projeto? O conhecimento não pode ser construído sem projeto?
Elizabeth: Trabalhar com projetos tem sentido porque parte das questões de investigação. O aluno  vai  desenvolver  estudos,  pesquisar  em  diferentes  fontes,  buscar,  selecionar e articular  informações com conhecimentos que  já possui para compreender melhor essas questões, tentar resolvê-las ou chegar a novas questões. Esse processo implica o desenvolvimento de competências para desenvolver a autonomia e a tomada de decisões, as quais são essências para atuação na sociedade atual, caracterizada por incertezas, verdades provisórias e mudanças abruptas.
TV ESCOLA: Você acha temeroso construir um ideário pedagógico com base em incertezas e verdades provisórias? A Educação pode viver ao sabor do momento? Deve-se investir numa espécie de pedagogia da  vertigem, que  faz as pessoas se sentirem pequenas, frágeis, insuficientes, em meio a tantas mudanças?
Elizabeth: A vida e a ciência são permeadas de incertezas e verdades provisórias. Aprender a trabalhar com isso na escola significa aprender a conviver e não apenas sobreviver. Mas realmente não podemos ficar ao sabor do momento, precisamos do conhecimento acumulado ao longo da evolução da nossa civilização, vamos em busca dele para compreender o presente e propor alternativas para a melhoria de qualidade de vida e a construção de uma sociedade mais  justa e  igualitária. É o conhecimento que a humanidade já possui que nos ajuda a dar esse salto, mas ele não pode ser  transmitido aos alunos de  forma descontextualizada, porque o aluno não consegue atribuir-lhe significado. Então, a partir de situações problemáticas  do  presente,  o  aluno  é  desafiado  a  buscar  informações  e  articulá-las  com conhecimentos que já possui, para compreender essa problemática e propor situações que possam  resolvê-la. É evidente que existem múltiplas  soluções para  tais problemas, o que leva o aluno a lidar com diferentes pontos de vista – favorecendo-lhe a compreensão sobre a relatividade e complexidade das situações da vida e da ciência – bem como a aceitar a ideia de que as mudanças são inerentes à própria vida.
TV ESCOLA: O projeto deve, necessariamente, interagir conteúdo de mais de uma área temática? Ou: o projeto é sempre  inter ou multidisciplinar? Dê, por favor, um exemplo, professora.
Elizabeth: Um projeto pode partir de uma questão relacionada com uma única área de conhecimento e, em seu desenvolvimento,  ir se abrindo e articulando conceitos de outras áreas. Pode também ocorrer o inverso. Iniciar com uma questão abrangente e pouco a pouco ir afunilando em um determinado conceito. Certa vez observei um trabalho de uma professora de Português que tinha a intenção de desenvolver estudos sobre o tema Linguagem Publicitária. No dia anterior ao início desse assunto em suas aulas, ocorreu uma grande enchente na cidade de São Paulo que afetou sobremaneira a vida das pessoas. Então, a professora teve o saber de identificar no contexto a emergência de um tema de interesse para seus alunos. Ela propôs então a eles desenvolver um projeto de criação de um produto útil para a situação de enchente e fazer a respectiva campanha publicitária. Ora, essa professora, soube propor um tema que era do interesse de todos naquele momento, os alunos se apropriaram da ideia e se aventuraram no desenvolvimento do projeto com a maior empolgação. O computador foi usado na campanha publicitária dos produtos hipoteticamente criados.
TV  ESCOLA:  Você  está  considerando  Língua  Portuguesa  e  Língua  Publicitária como duas áreas  temáticas? Se está, nesse exemplo a professora parte de duas áreas e continua nas duas. Não há afunilamento nem abertura e articulação, no sentido da inter ou multidisciplinariedade.
Elizabeth: Esse projeto  iniciou-se em uma área – Língua Portuguesa, cuja  intenção da professora  era  trabalhar  com  o  tema  Linguagem Publicitária    e  se  expandiu  para  outras áreas,  envolvendo  professores  de  diferentes  disciplinas. Os  alunos  fizeram  levantamentos históricos e estatísticos a respeito das enchentes da cidade de São Paulo ao longo dos anos e descobriram que esse  fato é  recorrente e sem uma ação mais abrangente por parte das autoridades. Alguém comparou-a com a seca do Nordeste. Também foram orientados pelo professor de Artes na criação de maquetes de seus produtos. Enfim, tendo como ponto de partida um  fato do contexto, houve um estudo que permitiu compreender a existência de enchentes na cidade de São Paulo, levou à proposição e respectiva publicidade de produtos para uso nessas emergências, favorecendo a representação de ideias em uma nova linguagem para os alunos. No final, cabe ao professor retomar os conceitos implícitos nessa representação, de modo a permitir a compreensão sobre esse tipo de linguagem, aprofundando o conhecimento do tema que originou o projeto. A interdisciplinaridade se deu na ação de trabalhar com um conhecimento tal qual ele ocorre no cotidiano, articulando as disciplinas que emergiram no desenvolvimento do trabalho, para ampliar a compreensão sobre a enchente e criar soluções alternativas para o problema.
TV ESCOLA: Como os projetos podem ajudar a enfrentar e superar o bicho-papão da Matemática? E como o computador pode favorecer essa superação?
Elisabeth: O exemplo que acabei de dar foi explorado pelo professor de Matemática para trabalhar com vários conceitos matemáticos. Ora, a Matemática não surgiu isolada da vida.
Ela foi isolada ao longo de sua evolução, o que favoreceu uma série de elaborações e novos conceitos. Só que, nesse processo de aprofundamento no interior da disciplina, perdeu-se o significado dos conceitos, o que hoje precisa ser recuperado no processo educacional. Para isso basta articular Matemática e realidade. Parece simples, porém não o é, porque os professores também não foram preparados para tal.
TV ESCOLA: O professor pode dar conta dos conteúdos previstos no currículo trabalhando só com projeto?
Elisabeth: Será que é possível cobrir todas as áreas e conteúdos do currículo por projetos? Se fizermos do projeto uma camisa-de-força para todas as atividades escolares, estaremos mais uma vez engessando a prática pedagógica. A metodologia de projetos traz um grande potencial para se romper com o isolamento das disciplinas, mas isso não significa que tudo  tenha que ser somente com projetos. Há momentos em que o professor precisa dar uma aula interativa, fornecer informações ao aluno, mas o que importa é que isso se faça com vistas à aprendizagem significativa para o aluno.
TV ESCOLA: O projeto não é sempre mais demorado?
Elizabeth: Essa ideia é equivocada. Tenta-se colocar o projeto como algo sempre grandioso e que envolve a escola como todo. Neste ano tivemos vários temas que foram escolhidos sem a participação de professores e alunos para que eles executassem como se fosse um  projeto: Brasil  500  anos, Olimpíadas  etc. Será  que  os  professores  e  os  alunos  foram sujeitos de aprendizagem desde a concepção desses projetos ou foram executados de algo definido a priori?
TV ESCOLA: É possível o projeto de uma única aula?
Elizabeth: O projeto implica em romper com o tempo e o espaço da sala de aula. A tecnologia permite a expansão da sala de aula para além do tempo limitado da presença física e torna essa ideia de tempo do encontro presencial como um momento significativo, mas não único. Meus alunos do curso de Pedagogia estão trabalhando com problemas por meio de interações à distância e afirmam que esta prática os força a aprofundar mais os estudos e a permanecer a semana toda trocando informações e elaborando suas produções. O espaço semanal de nossa aula presencial é para realimentar o virtual.
TV ESCOLA: Como se usam os vários recursos disponíveis nos projetos? Livros, TV, computador...
Elizabeth: De acordo com o objetivo pedagógico e a potencialidade de cada  recurso.
Num mesmo projeto podem ser articulados vários recursos, da entrevista pela Internet ao livro e TV. Posso entrevistar um especialista em situação real, mas se isso não for possível utilizo a Internet para nossa interação. Um vídeo pode ser um excelente recurso em um dado momento, desde que seu uso esteja contextualizado na atividade. Da mesma forma, o computador é muito útil quando usado para pesquisa, comunicação e principalmente para representação do conhecimento e troca de informações.
TV ESCOLA: O que você considera representação do conhecimento?
Elizabeth: Significa descrever explicitamente o significado de um conceito, as articulações entre informações, quer sejam palavras, gráficos, imagens, animações, enfim, qualquer mídia que mostre o que a pessoa pensa sobre determinado conceito, fato, acontecimento etc. Um programa de computador, um texto, um site ou uma home page traz descrito o pensamento de quem o elaborou. Por isso é importante permitir que o aluno represente o seu conhecimento, de modo que ele possa identificar o que sabe e o que precisa buscar para aprofundar esse conhecimento. Do mesmo
modo, o professor pode identificar as dificuldades e descobertas do aluno e intervir em seu processo para provocar o desenvolvimento. Aí reside a maior potencialidade do uso do computador em educação.